O ar quente e úmido pesava sobre mim fazendo brotar da minha pele gotas de suor que aos poucos começavam a escorrer pelo corpo.
De repente do riso fez-se o pranto
Não sentia mais tua respiração suave ao meu lado, como se por todo esse tempo, ela nunca estivesse presente.
Silencioso e branco como a bruma
Teu corpo, perfeitamente esculpido, emanava um ar de desdém e repugnância que eu nunca vira.
E das bocas unidas fez-se a espuma
Era o calor que modificava tudo ao meu redor, como se o próprio Vesúvio explodisse em minha cama devastando todo o sagrado daquele momento.
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.
Mas era eu que queimava e nem pude ver.
De repente da calma fez-se o vento
E do fogo brotava a raiva que acariciava meu peito, eu era o ódio e não mais a paixão.
Que dos olhos desfez a última chama
Num doloroso impulso, vulgar e certeiro, minhas mãos viraram as palmas que te mandaram para longe.
E da paixão fez-se o pressentimento
Em mim agora queimava tua displicência.
E do momento imóvel fez o drama.
Não vi mais meu reflexo em teus olhos, vi a dor que tu escondeste neles.
De repente, não mais que de repente
Tua face se contorceu em confusão enquanto meus cinco dedos desapareciam.
Fez-se de triste o que se fez amante
Notei minha incapaz tentativa de exorcizar meus demônios ao ver que você ainda me encarava. Mas eu desisti nesse momento, absorto em tua passividade.
E de sozinho o que se fez contente
Naquele momento meus atos não valeram as suas reações.
Fez-se do amigo próximo o distante
Teu toque então eu temi, não aceitaria o teu perdão apenas tua revolta. Mas ela se perdeu, talvez, no mormaço que nos cercava.
Fez-se da vida uma aventura errante
Teus cabelos não brilhavam mais, nem os lábios me convidavam como antes. Teu sorriso não passava de um esgar, ali tua voz se perdeu e se confundiu com a de qualquer outra pessoa.
De repente, não mais que de repente.
Eu só vi então as lágrimas que escorriam de ambos os rostos...
PS. Um agradecimento especial ao venerável Vinícius de Moraes, autor do poema "Soneto de Separação". Esse é, para mim, um de seus melhores poemas.
quinta-feira, janeiro 28, 2010
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